sexta-feira, 4 de novembro de 2016

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Salve Rainha!!!

Salve Rainha,
Mãe Misericordiosa
Vida, doçura e esperança nossa, salve!
A vós brandamos os degredados filhos de Eva
A vós suspiramos, gemendo e chorando
nesse vale de lágrimas.
Eias pois, advogada nossa,
esses vossos olhos misericóridiosos a nós volvei,
e depois deste desterro mostrai-nos jesus,
bendito fruto de vosso ventre,
Ó clemente,
Ó piedosa
Ó doce sempre Virgem Maria.
Rogais por nós Santa Mãe de Deus.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Amém!!! Que assim seja.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

SE EU FOSSE VOCÊ...

 O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranqüila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: "Se eu fosse você..." A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina.

Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção. Todos reunidos alegremente no restaurante: pai, mãe, filhos, falatório alegre. Na cabeceira, a avó, com sua cabeça branca. Silenciosa. Como se não existisse. Não é por não ter o que dizer que não falava. Não falava por não ter quem quisesse ouvir. O silêncio dos velhos. No tempo de Freud as pessoas procuravam os terapeutas para se curarem da dor das repressões sexuais. Aprendi que hoje as pessoas procuram os terapeutas por causa da dor de não haver quem as escute. Não pedem para ser curadas de alguma doença. Pedem para ser escutadas. Querem a cura para a dor da solidão.
Acho bonito o taoísmo, filosofia oriental. Para saber como ele é basta ler os poemas de Alberto Caeiro. O taoísmo é um jeito de olhar para o mundo. São muitos os jeitos de olhar para o mundo. Cada  jeito, cada mundo. O taoísmo diz que o mundo é feito de encaixes. Tudo vem aos pares. O que não tem par não existe. Tudo é macho e fêmea: yang, yin. Quando as duas partes do par se encaixam faz "clac" - e a felicidade acontece.
Para haver encaixe é preciso que cada parte seja incompleta. Se as partes fossem completas os encaixes não seriam possíveis nem necessários. Como num quebra-cabeça. Cada peça tem de ter um buraco. Esse buraco é para nele se encaixar um  "pleno" da outra peça. Se tal buraco  não existir, o encaixe não pode acontecer. O quebra-cabeça fica frouxo, solto, desmancha. Mas não acredite nessa palavra "pleno", que usei. Usei por falta de outra. "Pleno" sugere algo completo, em que nada falta. Mas a verdade é outra. Todo "pleno" é um buraco visto pelo avesso. Quando o buraco e o pleno se juntam acontece o encaixe. (Quem já montou quebra-cabeça sabe do prazer quase erótico que se sente ao fazer uma peça se encaixar na outra. Como se fosse uma metáfora sexual. Confirmação do taoísmo.) Viver é montar um quebra-cabeça. Viver é procurar encaixes.
Acho que os taoístas aprenderam isso observando a boca de um nenezinho sugando o seio da mãe. A boca é um vazio. Sem nada saber ela já sabe sobre encaixes. Suga o vazio. Seus movimentos rítmicos são a primeira forma de oração, sem palavras. Oração é o vazio que espera. A boca vazia ora pelo "pleno" que a satisfará: o seio da mãe. Mas o "pleno" do seio da mãe é também oração: quer uma boca que o sugue. Quando boca e seio se encontram o encaixe acontece. É a felicidade. O vazio de um é o pleno do outro. O vazio de um é a felicidade do outro.
Assim é o amor. A tristeza amorosa é o vazio desejando o pleno. Sócrates inventou um mito para explicar o amor. Disse que Eros nasceu do casamento entre a "Pobreza" e a "Plenitude". O amor é um buraco na alma. Quem ama é pobre. Falta alguma coisa. Peça desencaixada do quebra-cabeça. O sentimento amoroso é a nostalgia pelo pedaço que me falta, "pedaço arrancado de mim". Assim são o masculino e o feminino.
  O masculino é o pleno que ora pelo vazio que o abraçará. O feminino é o vazio que ora pelo pleno que nele se encaixará. Quando os amantes se abraçam e as peças se interpenetram, os corpos se encaixam, como no quebra-cabeça. Todo ato de amor é uma realização efêmera de uma unidade original perdida.
Assim são o yang e o yin, o pleno e o vazio, o seio e a boca, o masculino e o feminino, a fala e a escuta.
A fala é masculina: o pleno, sêmen, semente, penetração (fodere, em latim, quer dizer cavar), ejaculação. Segundo o Aurélio,ejaculação, que é usada normalmente para designar o jato de esperma, significa também "proferir, dizer em voz alta". Ejacular esperma e falar são a mesma coisa.
Ouvir é feminino. O pênis ereto é uma pobreza. É uma súplica, uma oração por uma vagina que o acolha. A semente, para germinar, precisa de um buraco na terra que a acolha. A fala, masculina, acontece num momento. Mas a germinação da escuta, feminina, demanda tempo e silêncio.
Para ouvir não basta ter ouvidos. É preciso parar de ter boca. Sábia, a expressão: "Sou todo ouvidos". Todo ouvidos; deixei de ter boca. Minha função falante, masculina, foi desligada. Não digo nada. Nem para mim mesmo. Se eu dissesse algo para mim mesmo enquanto você fala seria como se eu começasse a assobiar no meio de um concerto. Faço, para ouvir você, o mesmo silêncio que faço para ouvir música.
Vou agora lhe revelar o segredo da escuta. Quando era iniciante na arte da psicanálise tratava de prestar a maior atenção naquilo que o cliente me estava dizendo. Levou tempo para que eu percebesse que quem presta muita atenção no que é dito não consegue escutar o essencial. O essencial se encontra fora das palavras. Fernando Pessoa, essa distração dos deuses, sabia disso e escreveu. Está num poema que ele dirigiu a um poeta. O poeta é um falador. Constrói objetos com palavras. A esse poeta, cujo negócio é falar, ele diz:

Cessa o teu canto.
Cessa, porque enquanto
O ouvi, ouvia
Uma outra voz
Como que vindo  nos interstícios
Do brando encanto
Com que o teu canto
Vinha até nós.
Ouvi-te e ouvi-a
No mesmo tempo
E diferentes
Juntas a cantar.
E a melodia
Que não havia
Se agora a lembro,
Faz-me chorar.

Preste atenção no que está escrito. Fernando Pessoa diz que a fala tem duas partes. A primeira são as palavras que são ditas: a letra. A segunda é uma melodia que se faz ouvir nos interstícios da fala: a música. A letra é coisa do consciente, cerebral. A música é coisa do corpo, inconsciente. Aquilo a que a psicanálise dá o nome de inconsciente é a música do corpo. Quem diz a letra não percebe que está cantando.
Tem havido tentativas de produzir uma fala que seja só letra, sem música. A ciência e a filosofia têm-se esforçado por esse ideal - uma fala da qual o corpo do que fala esteja ausente. Fala sem alma, só informação. A voz metálica, monótona, indiferente, de robô, dos serviços de alto-falantes de aeroportos é uma expressão sensível desse ideal desumano. Você poderia imaginar um diálogo de amor com essa fala? Não existe voz humana que não tenha música.
Aí Fernando Pessoa diz que a letra não tem importância. Não é nela que se encontra aquilo que importa escutar. Pede até ao poeta que pare de falar porque a fala dele atrapalha ouvir a melodia... Esse é o absurdo segredo da escuta: é preciso não escutar o que se diz para se poder ouvir o que ficou não-dito,  a música. É na música que mora a verdade daquele que fala.
Assim, se você quiser ouvir bem, não preste muita atenção na letra. Esqueça as lições da hermenêutica, a ciência da interpretação dos sentidos. Aprenda a sentir a música. Todos os tipos de música, do tam-tam dos tambores a Boulez. Porque o que os compositores fizeram foi só fazer tocar em instrumentos aquilo que era tocado pelo corpo. Parafraseando Uexküll: "Todo corpo é uma melodia que se toca."  Seria bom se, nos cursos de psicologia, se lesse menos livros e se ouvisse mais música.

Rubem Alves - O amor que acende a lua

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

domingo, 21 de junho de 2015

Completamente apaixonado por esse ser de Luz: Rubem Alves, O Professor de Espantos.

"Sou um construtor de altares. Construo meus altares à beira de um abismo. Eu os construo com poesia e beleza. Os fogos que acendo sobre eles iluminam o meu rosto e aquecem o meu corpo. Mas o abismo continua escuro e silencioso..."
Rubem Alves

Rubem Alves - "Perguntaram-me se Acredito em Deus"


domingo, 14 de junho de 2015

Minha meta, Meu Amanhã.


Ela é minha delícia...
Minha meta, minha metade
Minha seta, minha saudade
Minha diva, meu divã
Minha manhã, meu amanhã


domingo, 31 de maio de 2015

Chega um Tempo.. Teus ombros suportam o mundo.. E agora José...



Chega um tempo em que não se diz mais: 

Meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.

terça-feira, 24 de março de 2015

Nuances de uma Proposta Indecente

Recomeçar...

Mais importante do que esquecer, deletar, resetar - talvez - seria perdoar. 
Existe um filme lindo e antigo que tem 2 cenas marcantes chamado Proposta Indecente. Recomendo.

Muita gente acha que ele trata de valores... Todos possuem um preço. Sim... realmente é disso mesmo. contudo não é só disso.

A primeira cena, que gostaria de destacar, acontece na mansão quando Robert Redford explica o porque ele tudo o que fez para terminar com a jovem Demi Moore.


https://www.youtube.com/watch?v=fGSddf72HCA



A segunda e que contem o que acho pertinente ao tema: recomeçar. É a cena quase final do Hipopótamo.

Lá o ex marido da Demi explica qual foi o erro deles em Vegas.



Ele diz que o erro foi achar que esqueceriam o que aconteceu... que um erro comum que as pessoas apaixonadas cometem é acharem que são invencíveis e que portanto esqueceriam o passado - aquela fatídica noite.

Hoje, no entanto, ele sabia que o que fazia as pessoas permanecerem juntas não é esquecer: é perdoar.



Exercitar a tolerância com as falhas do outro.

Entender que pessoas são só pessoas.

Uma pena que vivamos uma era robótica, superficial e "fast-food" onde tudo é volátil de descartável.

Consertar indica perda de tempo, de encanto, de afinidade, ou sinal que não era pra ser?

Se não é o que espero, prefiro deletar, esquecer, partir pra outra ou buscar algo mais leve,simples, adequado?

Por vezes o afeto se resume a não se deixar afetar. Praticidade é a palavra de ordem dos tempos modernos.

Era da eficiência.Triste.

Bom seria se as pessoas encantassem o olhar , principalmente no que tange a tolerância.

Construção é recomeço, mas não por esquecimento e sim por perdão - leia-se: por aprimoramento.

Diz o sábio que: pedras que se chocam são pedras que se lapidam.

Vale para segundos juntos. Vale para uma vida. Vale para cada detalhe cotidiano.

Mas se houver perdão a cena irá ficar comprometida... Arranhada...Será mesmo?

O filme depois de tudo termina com o seguinte dialogo dos então "invencíveis": (com uma trilha sonora apaixonante)

- Eu já te disse que te amo?

- Não.

- Eu te amo.

- Ainda?

- Sempre.

O amor é feito de perdões reiterados.

Frescobol.

Ja podia fazer parte das trilhas sonoras da minha vida.





quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

É a oração. É o apelo. É a prece.
É o que cabe e não se mede.
É o que se doa e não se perde.
É a inquietude que se escreve

É o suspiro que traduz
A alegria que seduz.
A energia que conduz
A felicidade que reluz

É o clichê, é o lado B
É o entender o Porquê



É o entender o porquê.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014