domingo, 25 de dezembro de 2011

domingo, 18 de dezembro de 2011

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

sábado, 10 de dezembro de 2011

"A música muda você. A música muda o mundo."

korikorico
urukuratakuru
kirakuya kuta
kuta yora
kaitilon 
karina afã
kari na usila

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Só...

 
Jack.. just it.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Pensar com o Teatro Mágico é trabalhar a sensibilidade...

"Entrada só para raros".
"A poesia prevalece."
""com outros olhos"



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Belíssima... D

Marisa renascida das cinzas
Ainda Bem :D

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Linda!!! :D ah... João Gilberto.

"Já percebi a confusão..."
rs :D

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Amo.

Poucas coisas me falam mais alto que Rubem Alves.
Esse blog surgiu da vontade de homenageá-lo
Tantas reflexões profundas... importantes... singelas... únicas...
Que Deus Abençoe esse ser Iluminado.
Companheiro de tantas horas...
revelador do muito do melhor que há em mim.


Meu querido...
Obrigado por ter entrado em minha vida...
de uma forma tão suave e contundente.
Um Abraço...

Nossa... Muito Boa essa Banda... :D


Sambinha De-li-ci-o-so!!!
:D

domingo, 30 de outubro de 2011

"Se eu for, eu vou assim..."

"O medo mora perto das ideias loucas... "
"Meu conhecimento é minha distracção..."
"Até o dia que eu mudar de opinião..."
:D

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Tem Jeito não :)

Não me Negue 
A Vontade de Sonhar!!!
:D

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O caminho que não leva a nada ( Rubem Alves)


Era uma tarde fresca. Estávamos assentados à sombra de um flamboyant na casa do meu primo Tatão, lá em Boa Esperança, jogando conversa fora. Gozado, pela primeira vez essa expressão “jogar conversa fora” chamou a minha atenção. Joga-se fora aquilo que não é para ser guardado. Não se diz “jogar conversa fora” de conversas de negócios entre executivos. Nas conversas de executivos nada é para ser jogado fora. Cada palavra vale dinheiro. Jogar conversa fora é uma brincadeira parecida com soprar bolhas de sabão. As bolhas de sabão são de curta duração. Mas são tão divertidas... Vão-se umas, sopram-se outras. Nietzsche e Alberto Caeeiro faziam filosofia e poesia contemplando as crianças entretidas nessa brincadeira. Quando jogamos conversa fora voltamos a ser crianças: sopramos bolhas com palavras, bolhas que serão logo esquecidas. Pois é. Lá estávamos nós quando, de repente, comecei a sentir um cheiro que me levou para dias da minha infância. A imagem que aquele cheiro me trouxe era tão doida que eu não disse nada. Achei que iriam se rir de mim. Foi quando uma das filhas do Tatão interrompeu a conversa e disse com aquela música pachorrenta do falar mineiro: “Uái, gente, que cheiro de quando estão matando porco...” Ah! Era isso mesmo que estava na minha cabeça. De alguma forma aquele cheiro me levou de volta a uma cena que estava enterrada na minha memória. Quando se mata porco há um cheiro característico: da lenha, do porco morto sendo chamuscado no fogo, do couro do bicho sendo amolecido pela água fervente.
Assim são as imagens poéticas: elas têm o poder de ir lá no fundo da  alma, onde moram os esquecimentos. E quando um desses esquecimentos acorda, a gente sente um estremeção no corpo. Essa é a missão da poesia: recuperar os pedaços perdidos de nós.
Pois isso está acontecendo comigo agora, estou sendo visitado por uma imagem emissária do meu passado. Ela me aparece e eu me comovo. Se me comovo é porque eu me pareço com ela. É a imagem de um caminho. Haverá alguma razão para esse aparecimento? Acho que sim. Vou completar 71 anos. Olho para trás, olho para frente... Vejo o meu caminho...
Tenho, na minha pequena sala de estar, uma tela grande, pintada pela. Marli, mãe da Thais: um caminho no meio da mata. Não se sabe para onde vai porque ele desaparece numa curva. Eu recebi essa tela de presente, depois que da. Marli ficou encantada. Eu me assento no sofá e fico olhando para ela – coisa que não faço com famosas reproduções de Dali e Brueghel. O caminho me faz pensar. Pensar sobre mim mesmo. Penso sobre o caminho que trilhei. Penso sobre o caminho que trilharei, depois da curva...
Sinto o que disse Robert Frost num dos seus poemas: “Duas trilhas bifurcavam num bosque de outono, e eu, viajante solitário, triste por não poder andar por ambos, por longo tempo lá fiquei olhando até onde desapareciam na folhagem. Duas trilhas num bosque bifurcavam e eu – eu fui pela menos pisada, e  isso fez toda a diferença”.
Acho que eu fiz o mesmo: preferi sempre a trilha onde poucos andavam. Desde menino eu amei estar sozinho. Gostava de ficar só com os meus pensamentos. Lembro-me do sobradão colonial do meu avô onde passava férias. Eu acordava – todos estavam ainda dormindo – vestia-me e, silenciosamente, para não despertar os adultos, caminhava pelo corredor onde estava o meu quarto, atravessava a sala de jantar, entrava num outro corredor que conduzia à sala de visitas, tomava a escada, eram três lances até o térreo, entrava num corredor que conduzia à enorme porta de entrada da casa, fechada com barras de ferro. Eu retirava as barras, abria a porta, e saia. O sol estava começando a nascer. Lá estava a praça quase deserta com suas tipuanas, ipês e palmeiras. Assentava-me então num banco e ficava ouvindo longamente o canto dos pássaros pretos, sozinho.
A trilha menos pisada é a trilha dos hereges, dos bufões, dos poetas, dos profetas. Esses foram sempre meus melhores amigos. T.S. Eliot tem um aforismo que diz: “Numa terra de fugitivos quem anda na direção contrária parece estar fugindo.” Não sei se a minha era uma terra de fugitivos. Só sei que desde pequeno eu andava ao contrário. Lembro-me de quando vivi numa cidade do interior de Minas onde todo mundo era católico. Eu era protestante. Quando o padre com suas vestes negras chegava ao Grupo e chamava as crianças para a confissão eu tinha de me levantar e dizer: “Eu não vou...”  E assim tem sido, através da minha vida. Nunca consegui pertencer a um rebanho fosse qual fosse o seu nome: igreja, clube, partido, escola de pensamento, grupo profissional.
Agora, faz poucos meses, fiquei conhecendo o poeta José Régio. Vou transcrever alguns trechos do seu poema “Cântico Negro”. “’Vem por aqui’ – dizem-me alguns com olhos doces, estendendo-me os braços, e seguros de que seria bom que eu os ouvisse quando me dizem: ‘Vem por aqui’! Eu olho-os com olhos lassos, ( há nos meus olhos ironias e cansaços) e cruzo o braços, e nunca vou por ali. Não, não vou por aí! Só vou por onde me levam meus próprios passos... Se vim ao mundo, foi só para desflorar florestas virgens e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada.Ide!Tende estradas, tendes jardins, tendes canteiros, tendes pátrias tendes tetos, e tendes regras, e tratados, e filósofos e sábios. Eu tenho a minha Loucura! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, e sinto espuma, e sangue e cânticos nos meus lábios... Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! Ninguém me peça definições! Que ninguém me diga: ‘vem por aqui’! Não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí!”
Mas há uma contradição que bem percebo. Não vou pelos caminhos dos outros. Mas ao escrever eu não estarei convidando os que me lêem a seguir o meu caminho? Como se eu lhes dissesse: “Vem por aqui!!” Não, não, não! Não quero transformar minhas caminhadas solitárias em procissões ou comícios. Não quero seguidores. Quero continuar a caminhar sozinho. É bom caminhar sozinho. E o caminhar sozinho não faz caminhos para os outros. O meu caminho é só meu. “Caminhante, não há caminhos”, dizia Antônio Machado. “Os caminhos se fazem ao caminhar...” Cada um tem de fazer o seu próprio caminho. A alma é o caminho. É preciso encontrar esse caminho. Estranho, porque é um caminho que não leva a nada. Mas os cenários à beira do caminho são maravilhosos. Assim, só posso repetir o conselho de D. Juan, o bruxo: “Todos os caminhos conduzem ao mesmo fim. Escolhe, portanto, o caminho do amor”. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Kalú... Kalú...

Lindoooo Demaissss!!!
Chico e & Humberto Texeira.
Show!
:D

Gadú... Gadú...


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Lua e Estrela

Que Saudade dessa Música...
Muito tempo que não a ouvia!!!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

"Mas acontece que eu... não sei viver sem você..."

"As vezes me desabafo... me desespero pq... vc é mais que um problema é uma loucura qualquer...
mas sempre acabo em seus braços... na hora q vc quer..."

Pensamentos...

"As perguntas que me faço...
são levadas ao espaço."
Lindo...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O Meu Lugar...


Linda.......
Adoro essa Benevolência em forma de Cadência, com sotaque de Decência, que é o samba
Ah o samba... como dizia o Mussum, ex trapalhão, sambista nato: o samba é essa entidade maravilhosa,
algo condensado,
que penetra nas pessoas que ele gosta.
Concordo.
:D  
Sentiu? 
;)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Overjoyed!

Cidia e Dan
Overjoyed!
Delícia de Dvd
:D

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

domingo, 14 de agosto de 2011

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

"Sinto Absoluto o Dom de Existir" :D

Estou em um relacionamento muito sério com o universo . A gente, definitivamente, se entende. Ele tá sempre conspirando a meu favor. Valeu aí, cosmo!!!! (Via Lorna Rangel) :D
http://www.youtube.com/watch?v=dyNJ8m0lUiU

"Se a lua toca no mar ela pode nos tocar"

"Vejo lua companheira, nua, crua e faceira, no encontro das palavras e Poetas de alma pura. Sob o céu de estrelas mil, tantos íntimos se revelam, a contar em prosa e verso, sentimentos que carregam. No encontro especial, tão suave como espumas, dedilhando nas areias, poesias, sonhos, e brumas..."-Dayse Maria

Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto. " Rubem Alves...
http://www.youtube.com/watch?v=FAUwFoJXCw8

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Como vai você?

"De elástica, minha alma dá de si..."

"A Alquimia é reter as Montanhas no olhar!"/ "Na bleveza do ser , o segredo é voar, o Himalaia inteiro..." 


"Quero andar nas ruas que ha em mim, conhecer esquinas do coração, desabar nos proprios butiquins, nos suburbios da iluminação" J.V


"è o segredo Divino do aprendiz" ;) Jorge V 

Pérolas - Jô Soares

Ah... As Crianças...
"Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como criança jamais será sábio" Rubem Alves




http://www.youtube.com/watch?v=DESEUoNuhxQ&feature=player_embedded

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

"A liberdade é o ar que o amor respira"


"Eu conheço a imensidão do céu, Pássaro que sou Mergulharei de vez, uma vez ou três..."


http://www.youtube.com/watch?v=Cau67P5k_mI



Cinema Paradiso- SE (Josh Groban - Ennio Moricone)

Se tu fossi nei miei occhi per un giorno
Vedresti la bellezza che piena d'allegria
Io trovo dentro gli occhi tuoi
Ignaro se magia o realtà

Se tu fossi nel mio cuore per un giorno
Potreste avere un'idea
Di ciò che sento io
Quando m'abbracci forte a te
E petto a petto noi
Respiriamo insieme

Protagonista del tuo amor
Non so se sia magia o realtà

Se tu fossi nella mia anima un giorno
Sapresti cosa sento in me
Che m'innamorai
Da quell'istante insieme a te
E ciò che provo è
Solamente amore





"Amar é ter um pássaro pousado no dedo.
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que,
a qualquer momento, ele pode voar”



Rubem Alves


&


Enio Morricone...


musica que verberiza no silêncio da alma, é preciso ter sensibilidade pra ouvi-lo sem querer entender...

A menina e o pássaro encantado – Rubem Alves

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…
 Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…
E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
 Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
 Tenho de ir  dizia.
 Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…
— Eu também terei saudades  dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…
 Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
 Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…
 Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
 Que bom  pensava ela  o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
 Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.
* * *
Para o adulto que for ler esta história para uma criança:
Esta é uma história sobre a separação: quando duas pessoas que se amam têm de dizer adeus…
Depois do adeus, fica aquele vazio imenso: a saudade.
Tudo se enche com a presença de uma ausência.
Ah! Como seria bom se não houvesse despedidas…
Alguns chegam a pensar em trancar em gaiolas aqueles a quem amam. Para que sejam deles, para sempre… Para que não haja mais partidas…
Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce, preparam-se os abraços.
Esta história, eu não a inventei.
Fiquei triste, vendo a tristeza de uma criança que chorava uma despedida… E a história simplesmente apareceu dentro de mim, quase pronta.
Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir. Mas não é isso.
É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano.
Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos.
Claro que são para crianças.
Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão…
As mais belas histórias de Rubem Alves
Lisboa, Edições Asa, 2003


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

"Musica no Ar"

Uma das musicas mais lindas de todos os tempos...

http://www.youtube.com/watch?v=dvYkd9k6pMI



"O amor é esse combustivel que nos leva a ousar e a nos entregar, que nos dá paciência, perseverança e especialmente coragem pra sermos nos mesmos. é a força que nos faz dar o mais distante dos saltos: aquele que vai do medo à entrega."
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O amor? ah o amor... o amor é fantastico... É o ridiculo da vida...
é graças a essa breguice... que se revela o q há de mais sofisticado em nós...
a capacidade de amar e ser amado... ;)

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Por ser exato
O amor não cabe em si
Por ser encantado
O amor revela-se
Por ser amor
Invade
E fim!!.. ;)

Recado aos Navegantes...

Se eu não puder fazer bem a alguém... mal é que não farei... falar mal então...? é que não ha possibilidade... e por tras...? piorou. Aprendi que a vida é um eco... busco emitir somente coisas boas por que as quero também. Se noto incompatibilidade, me afasto... e busco construir relações em minha vida conforme o texto de Rubem alves - Tenis ou frescobol, por entender que o barato da vida é cuidar dos sonhos e irrealidades do outro com cuidado, fazendo do ir e vir uma dança magnética que promove a união. Portanto, gosto de abraços e sorrisos sinceros, respeito & acuidade, carinho e aconchego.

Saiba que “Quando eu lhe dou o meu tempo, eu estou te dando uma parcela da minha vida que nunca irá voltar..." Vivo intensamente... e procuro sempre entregar o meu melhor. Perdoem as fragilidades e os erros pois sem eles eu não poderia ser quem sou. Um eterno aprendiz.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O amor bom é facinho (Por que as pessoas valorizam o esforço e a sedução?)

Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho - esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade? 

Eu suspeito que não. 

Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói. 

Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo? 

Minha experiência sugere o contrário. 

Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas. 

Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado. 

Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimos? 

Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer? 

Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir? 

Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios. 

Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio? 

Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada. 
  
  
(Ivan Martins escreve às quartas-feiras) [ Texto retirado da revista época)

Sintetiza completamente o que penso sobre o tema.